top of page

50 Vias Clássicas do Brasil: o principal roteiro de escalada em rocha do país

Foto do escritor: @andreperlatti
@andreperlatti
há 4 dias
9 min de leitura

Atualizado: há 7 horas

Por André Perlatti com colaboração de Victor Abla, Deiver Novaes e Raphael Oliveira.


André Perlatti no crux da via Arco da Toca, Itatim-BA
André Perlatti no crux da via Arco da Toca, Itatim-BA


As 50 Vias Clássicas do Brasil formam uma seleção das mais emblemáticas vias de escalada em rocha de nosso território feita pelos autores Flávio Daflon e Cinthia Daflon. Este compêndio de 2017 nasceu inspirado no icônico conceito norte-americano do livro "Fifty Classic Climbs of North America", livro de Steve Roper e Allen Steck lançado em 1979. Muito mais do que uma simples lista a seguir, celebra a história, a diversidade e a essência do montanhismo brasileiro reunindo as 50 linhas mais interessantes do país em graduações intermediárias (3º a 7c BRA) — que se estendem do Rio Grande do Sul ao Ceará.


Lista completa das 50 vias e a expressão "coroa de ouro"

A expressão COROA DE OURO se refere a escalada de duas das 50 clássicas num único dia. Foi inventada por André Perlatti e Alexandre Mesquita em junho e 2023 quando ambos completaram a Oba-Oba nas Agulhas e a Chaminé Idalício nas Prateleiras num único dia. As que se enquadram nessa possibilidade estão indicadas com o símbolo 👑 e seguidas pela numeração das combinações possíveis. Boa parte delas foram realizadas por este autor.

André Perlatti e Alexandre Mesquita no dia que inventaram a expressão "coroa de ouro", 17 de junho de 2023
André Perlatti e Alexandre Mesquita no dia que inventaram a expressão "coroa de ouro", 17 de junho de 2023

As 50 vias clássicas do Brasil são:


1. Papagaio Pirata - 4º VIsup E2, 70m - Pico do Morcego, Bagé (RS)


2. Sem Medo de Ser Feliz - 5º Vsup E3 D1, 115m - Pedra do Segredo, Caçapava do Sul (RS)


3. Bugio Solando - 5º VI E2 D1, 120m - Pico da Canastra, Canela/Três Coroas (RS)


4. Leviatã - VIsup E1, 25m - Morro da Cruz, Florianópolis (SC)

Esportiva com interessante movimentação técnica pelos buracos naturais da parede. 👑(4+5)


5. Tardes de Outono com Herança de Átila - 4º V E1 D1, 95m - Ponta da Galheta, Florianópolis (SC)

Belíssima via no litoral Catarinense com apenas 4 enfiadas fáceis. Majoritariamente de aderência. Sem dúvida uma das mais belas vistas das 50. 👑(4+5)


6. Boi nos Ares - 6º VIsup E2 D1, 60m - Morro do Macaco, Bombinhas (SC)

Via curta e muito bonita, com visual privilegiado da praia. Possui início técnico em uma rocha de excelente aderência, proporcionando uma escalada prazerosa.


7. Enferrujados - 5º VIIb A1 E1 D2, 140m - Abrolhos, Morretes (PR)

Importante via no complexo do Marumby, um dos berços do montanhismo nacional. A primeira cordada feita em artificial foi a capa original da 1ª edição do livro de Flávio e Cinthia Daflon.


8. Solanjaca - V E1, 25m - Morro do Anhangava, Quatro Barras (PR)

Via esportiva selecionada mais pela sua importância histórica do quê pela escalada em si, nos arredores de Curitiba. 👑(8+9)


9. Dalí pra Cima - VIIa E2, 30m - Salto São Jorge, Ponta Grossa (PR)

Via de uma plasticidade única por estar a menos de 10m de uma imensa cachoeira, característica essa que também a torna complexa de se escalar seu início geralmente molhado, obrigando uma escalada em artificial. Para acessa-la é preciso rapelar de seu topo. 👑(8+9)


10. Visual - VI E1, 50m - Cuscuzeiro, Analândia (SP).

Também um dos berços do montanhismo paulista, o "Cusco" não poderia ficar de fora do livro. Recentemente ouve a queda de um grande bloco utilizado como variante em seu crux obrigando agora o escalador a seguir a linha original.


11. Vulcano - 4º V E1 D2, 190m - Pedra do Elefante, Andradas (MG)

Via fácil com destaque para a segunda cordada por uma grande fenda lateral de 3º BRA.


12. Chresta com Normal - 3º VI E2 D1, 140m- Pedra do Baú, São Bento do Sapucaí (SP)

Via indiscutível de estar na lista das 50 vias mais clássicas do Brasil. Uma das mais repetidas pela beleza e acessibilidade, no berço do montanhismo paulista. 👑(10+11 ou 12)


13. V de Vingança - 5º VIIa E2 D2, 245m - Bauzinho, São Bento do Sapucaí (SP)

Via com primeira cordada incrível, um diedro em móvel digno das 50. Crux positivo de 7a técnico. 👑(11+10 ou 12)


14. Elektra - 4º V E2 D2, 205m - Ana Chata, São Bento do Sapucaí (SP)

Belíssima via de fácil acesso e dois crux definidos, o mais óbvio e atlético deles com proteções móveis com boas colocações. 👑(12+10 ou 11)


15. Evolução - 5º VI E2 D3, 335m - Pedrão, Pedralva (MG)

Talvez a via menos interessante das 50 pela pouca variação, exceto as duas últimas cordadas. Predominância de escalada com regletes e aderência.


16. Oba Oba - 3º VI E2 D1, 70m - Agulhas Negras, Itatiaia (RJ)

Via polêmica de se estar na lista das 50 visto que há inúmeras outras importantes no maciço, o mais icônico do montanhismo brasileiro. Crux de aderência bem definido logo no primeiro lance da via. 👑(18+19)

José Judice, 70, na segunda enfiada da Oba-Oba
José Judice, 70, na segunda enfiada da Oba-Oba

17. Chaminé Idalício - 3º V A1 E3 D1, 65m - Prateleiras, Itatiaia (RJ)

Nitidamente uma via selecionada pela sua grande importância histórica numa das mais notáveis formações do planalto. Crux apertado em livre após lance inicial em artificial. 👑(18+19)


18. Passagem dos Olhos - 4º IV C E2 D2, 145m - Pedra da Gávea, Rio de Janeiro (RJ)

Uma das mais pitorescas da lista, tanto pelo espetacular visual quanto pelo desenho da linha, majoritariamente lateralizado com um rapel na sua metade para acessar lance final em artificial.


Deiver Novaes na belíssima via Passagem dos Olhos, Pedra da Gávea, Rio de Janeiro-RJ
Deiver Novaes na belíssima via Passagem dos Olhos, Pedra da Gávea, Rio de Janeiro-RJ

19. Paredão Paraíso Perdido - 3º V E3 D2, 185m - Pico da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ)

Analisando apenas a escalada, considero a mais completa e interessante das clássicas da baixada fluminense.


20. K2 - 4º V E2 D1, 140m - Corcovado, Rio de Janeiro (RJ)

Uma das mais procuradas pela montanha mundialmente conhecida onde está localizada. No momento da publicação deste artigo a última enfiada utilizada está sendo uma variante devido a obras no Cristo que impossibilitam a escalada da linha original. 👑(18+19)


21. Via dos Italianos - 5º VI E2 D2, 265m - Pão de Açúcar, Rio de Janeiro (RJ)

Indiscutivelmente a clássica das clássicas. Trata-se da via mais repetida do livro por estar localizada numa metrópole turística. A graduação pode enganar os que não estão acostumados com escalada em aderência do RJ. 👑(18+19)


22. Luiz Arnaud - 2º IIIsup E2 D1, 200m - Morro do Tucum, Niterói (RJ)

A via mais fácil das 50 com bela vista da praia de Itacoatiara. 👑(20+21)


23. Paredão Zezão - 3º V E2 D2, 310m - Agulha George Guarisch, Niterói (RJ)

Via muito bonita com trilha de aproximação iniciando no final da descida da Luiz Arnaud. 👑(20+21)


24. A Soma de Todos os Medos - 6º VIsup A1/VIIb E3 D4, 725m - Cantagalo, Petrópolis (RJ)

Vale a pena ir um dia antes no Canta Galo reconhecer a linha, para entender o tamanho do comprometimento da investida. Considerada a de maior perrengue das 50, majoritariamente uma escalada de aderência. As últimas cordadas são verticais, 5 estrelas.


25. Face Leste com Maria Cebola - 4º IVsup A0 E3 D4, 240m - Dedo de Deus, Guapimirim (RJ)

Terceira via mais "clássica" do livro, no berço do montanhismo nacional. Indiscutivelmente uma das melhores do Brasil.


26. Normal da Agulha do Diabo - 4º Vsup C E3 D3, 230m - Agulha do Diabo, Guapimirim (RJ)

Considerada uma das vias de escalada mais belas do mundo, se destaca pela variedade de movimentos, visual e longa aproximação. Na Aventura Alpina optamos por fazê-la em dois dias contando aproximação, escalada e desaproximação.

André Perlatti e Caio Watanabe na unha da Agulha do Diabo
André Perlatti e Caio Watanabe na unha da Agulha do Diabo

27. Face Leste do Pico Maior - 5º V A1/VIsup E3 D4, 670m - Pico Maior de Friburgo, Nova Friburgo (RJ)

Escalar em salinas é sentir a energia dos desbravadores sobre aquelas icônicas formações rochosas, uma das montanhas mais linda do Brasil, o Pico Maior. A Face Leste é uma via de aventura, com direito a chaminés, escalaminhada e um respeitoso E3. Há duas vias recomendadas para rapel por serem mais curtas e diretas: Cidade dos Ventos ou Silvio Mendes.


28. CERJ - 5º V A1/VIsup E3 D3, 360m - Capacete, Nova Friburgo (RJ)

Linda linha no Capacete, uma das mais divertida das 50 clássicas, com um estilo variado, chaminés, agarras, fendas, aderência, tem de tudo e de quebra o visual incrível.


29. Dança Macabra - Vsup E2, 30m Serra Lenheiro, São João del-Rei (MG)

A região abriga a CEMONTA, do Exército Brasileiro, e possui diversas rotas móveis e artificiais. Destaca-se a Dança Macabra, via acessível e protegida com peças móveis, com um crux de oposição e boas agarras no final. Leve um friends .3 para protegê-lo.


30. Clandestino - 6º VIIa E2 D2, 175m - Serra da Cambota, Caeté (MG)


31. Obra do Acaso - 5º VI A1/VIIb E3 D4, 645m - Pico do Baiano, Catas Altas (MG)


32. Lamúrias de um Viciado - VIIb E2, 40m - Serra do Cipó, Serra do Cipó (MG)

A via com crux mais difícil de todas as 50. Esportiva com crux bem definido de movimento atlético com carácter técnico.


33. Mestre Mister - 7º VIIb A1 E2 D3, 180m - Cachoeira do Tabuleiro, Conceição do Mato Dentro (MG)


34. Moonwalker - 5º Vsup E3 D4, 1.120m - Pedra Riscada, São José do Divino (MG)

A via mais longa de todo livro. Embora possua grande repetição de movimentos, possui seu charme justamente pela sua extensão, o quê exige grande entrosamento da equipe.

Finalização das 50 pelo primeiro casal da história, na Moonwalker
Finalização das 50 pelo primeiro casal da história, na Moonwalker

35. Via Normal Pedra Azul - 3º IV E2 D2, 370m - Pedra Azul, Domingos Martins (ES)


36. Inferno na Torre - 5º V A1 E3 D2, 235m - Três Pontões, Afonso Cláudio (ES)


37. Face Oculta - 4º IV E3 D2, 300m - Pedra da Cara, Pancas (ES)


38. Flor do Cerrado - VIsup E1, 25m - Belchior, Planaltina (GO)

Setor de calcário que se destaca pelo labirinto de caminhos entre as paredes, com muitas vias bonitas para explorar. A ação da água formou agarras únicas e características.


39. Tendinite - VI E1, 25m - Morro do Macaco, Pirenópolis (GO)

Via técnica a qual percorre recortes de rocha e termina em um trecho levemente negativo, exigindo resistência e proporcionando uma bela experiência.


40. O Jardineiro - 6º VIIa E2 D3, 295m - Enxadão, Itatim (BA)

Itatim ficou conhecida como a "Yosemite brasileira", um dos melhores setores de escalada do planeta. São inúmeras vias e estilos na caatinga baiana. A Jardineiro não poderia estar de fora das melhores do Brasil. Uma rota visível há quilômetros pela jardinagem de bromélias realizada pelos conquistadores.


41. Arco da Toca - 6º VIIa E2 D1, 185m - Morro da Toca, Itatim (BA)

Sem dúvida a formação mais plástica das 50 clássicas pela escalada na boca de uma imensa caverna com 60m de diâmetro. Uma das mais belas do mundo.


42. Paulicéia Baiana - 5º VI E2 D2, 150m - Pai Inácio, Palmeiras (BA)

Escalada magnífica em arenito com a particularidade de não possuir uma única proteção fixa, inclusive nas paradas. Seu abandono inevitavelmente exigirá abandono de peças.


43. Costas Quentes - 5º VIIb E2 D1, 140m - Pedra da Bicuda, Brejo da Madre de Deus (PE)


44. Via Sacra - 3º V E2 D2, 210m - Pedra da Boca, Araruna (PB). 👑(44+45)


45. Fratura de Têmpora - 3º IVsup E2 D1, 90m - Pedra da Caveira, Araruna (PB). 👑(44+45)


46. O Coronel e o Pescador - 6º VIIa E2 D1, 110m - Serra Caiada, Serra Caiada (RN). 👑(46+47)


47. Cavalo de Tróia - 4º V A1/VIIb E3 D2, 280m - Pedra de São Pedro, Sítio Novo (RN). 👑(46+47)


48. Cachalote - 4º V E3 D3, 475m - Serra Branca, Quixadá (CE)

Cachalote é a segunda maior via do Nordeste pelo que soube, com 475 metros na Serra Branca, um enorme monolito em Quixadá. Diferentemente das outras clássicas, aqui a exposição é ainda maior e o foco é a aderência.


49. Reféns da Biomecânica - 5º Vsup E2 D1, 50m - Galinha Choca, Quixadá (CE) 👑(49+50)

Via clássica e bastante técnica, com escalada em cristais. O topo oferece uma vista privilegiada para apreciar o pôr do sol.


50. Ziguezeira - 4º Vsup E2 D2, 265m - Pedra Riscada, Quixadá (CE). 👑(49+50)

Via de cristais, com formações maiores especialmente nas últimas cordadas. Destaca-se pelas travessias técnicas em canaletas, que exigem boa leitura da rocha.


Quem já completou todas as 50?

Completar a lista é um trabalho árduo tanto pela exigência física e técnica quanto pela logística. Partindo da via nº1 em Bagé-RS, para escalar todas numa viagem por terra seriam rodados impressionantes 9.441 km, o suficiente para ir de Jundiaí-SP ao Panamá! Por este conjunto de barreiras são pouquíssimas pessoas que concluíram o feito. Este é o primeiro registro público, foi baseado em conhecimento prévio dos escaladores e consulta direta com a comunidade. Caso alguém saiba de mais pessoas que concluíram por favor entre em contato via nossa canal de e-mail contato@aventuraalpina.com.br para publicarmos uma errata. São apenas 7 até a divulgação deste artigo:


  1. Flávio Daflon (o autor e o pioneiro)

Residência: Rio de Janeiro-RJ

Início do projeto: sem informações

Finalização: sem informações

Duração: sem informações


  1. Gabriel Konzen (a primeira repetição)

Residência: Rio de Janeiro-RJ

Início do projeto: jan/2018

Finalização: set/2022

Duração: 4 anos e 9 meses


  1. Janice Brandão (o menor tempo e a 1ª mulher)

Residência: Rio de Janeiro-RJ

Início do projeto: jul/2021

Finalização: jun/2023

Duração: 1 ano e 11 meses


  1. Paloma Yamagata

Residência: Rio de Janeiro-RJ

Início do projeto: jul/2021

Finalização: mar/2025

Duração: 3 anos e 9 meses


  1. Cátiana dos Santos Fernandes

Residência: Santo André-SP

Início do projeto: abr/2021

Finalização: jul/2026

Duração: 5 anos e 3 meses


  1. Raphael Oliveira (primeiro casal)

Residência: Jundiaí-SP

Início do projeto: set/2022

Finalização: ago/2026

Duração: 4 anos


  1. Cinthia Ogata (primeiro casal)

Residência: Jundiaí-SP

Início do projeto: set/2022

Finalização: ago/2026

Duração: 4 anos



Sobre a lista

Vale lembrar que a escolha por parte dos autores foi baseada em conhecimento próprio e consulta nas comunidades locais. Não foi um trabalho fácil dada a subjetividade envolvida. Levou-se em conta plasticidade da escalada, beleza ambiental, graduação, segurança e importância histórica. Polêmicas sempre irão existir numa lista como esta, mas é indiscutível que todas são vias importantes para a escalada brasileira. Sem sombra de dúvidas o mais importante roteiro do esporte nacional.



Conheça também


Comentários


Fale com um de nossos guias
bottom of page