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FREY: um paraíso da escalada tradicional na Patagônia

  • Foto do escritor: @andreperlatti
    @andreperlatti
  • há 12 minutos
  • 4 min de leitura

Escaladores de parede certamente já ouviram falar deste setor localizado nas proximidades de Bariloche, na Patagônia Argentina. Sua fama data dos anos 70, quando as primeiras vias começaram a serem abertas e divulgadas mundo afora. A combinação de paisagens magníficas, aproximações curtas desde o refúgio, qualidade da rocha com predominância de fendas e graduações democráticas tornaram este um dos principais setores de escalada da América do sul.


Pedro Reinaldin na última enfiada da Sifuentes Weber, Aguja Frey
Pedro Reinaldin na última enfiada da Sifuentes Weber, Aguja Frey

COMO CHEGAR

O modo mais fácil é via aeroporto de Bariloche, o qual está localizado a 25 min do centro. Daqui é possível pegar um ônibus (línea 20) ou um transporte privado (uber ou remisse) até o Cerro Catedral, a estação de esqui da cidade. A trilha de aceso ao refúgio Frey inicia à esquerda da entrada do estacionamento, subindo um pequeno lance de escadas.


Juliana Drigo na trilha de aproximação de 4 horas até o refúgio Frey
Juliana Drigo na trilha de aproximação de 4 horas até o refúgio Frey

Exitem duas possibilidade de trilha: tradicional por "baixo", margeando à esquerda a cadeira do cerro CAtedral, ou acessando pela pista de esqui (sem neve no verão), conhecida por "el filo" ou crista. Sempre opto pela tradicional por possuir uma ascensão acumulada mais suave, uma vez que suubimos pesados com todos os equipamentos. São aproximadamento 4 horas de subida margeando o belíssimo lago Gutierrez. Há alguns anos era possível contratar muleiros para carregar os equipamentos, mas o parque Nahuel Huapi proibiu essa estratégia dado o impacto ambiental causado.


Para acessar o refúgio, seja para trekking ou escalada, é obrigatório preencher o registro de trekking no site do parque Nahuel Huapi ou do CAB: www.nahuelhuapi.gov.ar ou www.clubandino.org/registro-de-trekking .



ONDE FICAR, o Refúgio

Uma vez no refúgio a estadia pode ser em barracas na área demarcada para camping ou em camas no refúgio. Ambas exigem agendamento prévio, que pode ser efetuado somente 3 dias antes da expedição pelo link do refúgio: https://refugiofreybariloche.com/ .


O refúgio é mantido pelo CAB, Clube Alpino Bariloche, um dos mais antigos e organizados da América do Sul. Para a estadia em cama é cobrada uma taxa atualizada anualmente, mas o camping é gratuito, basta levar sua própria barraca, isolante e saco de dormir.


O local conta com restaurante onde é possível tomar café da manhã e jantar, além de alguns outros itens do cardápio como empanadas e pizzas, sempre mediante reserva prévia diretamente no caixa. Também é possivel consumir bebidas (inclusive cerveja e vinho). A utilização das mesas internas durante os horários de pico são liberados somente para quem reservou uma destas refeições. Para quem quiser cozinhar, fogareiros são permitidos somente na parte externa mas a refeição pode ser realizada no anexo lateral com mesas, pia e torneira. Há banheiros com privada e torneira disponível para todos sem custo extra.



A ESCALADA


Glauco da rocha na terceira enfiada da Nhaca Nhaca Crunch Crunch, Aguja  Abuello
Glauco da rocha na terceira enfiada da Nhaca Nhaca Crunch Crunch, Aguja Abuello

São mais de 300 vias em dezenas de agulhas, falésias e paredões no entorno. No refúgio há uma versão atualizada do croqui de Rolando Garibotti disponível para leitura no restaurante, mas como todo croqui recomendo adquirir o seu exemplar no próprio local para apoiar o autor após o árduo trabalho desenvolvido que ficará por gerações.


As vias estão na graduação francesa e variam de 4º a 9ºBRA. Por cultura, geologia e ética local, majoritariamente as proteções são móveis, muitas vezes inclusive nas paradas. O próprio Rolando Gariboti, nas última versão do livro, comenta sobre a evolução do esporte frente às novas gerações de escaladores, majoriatamente mais precavidos e menos propensos a correr grandes riscos. Fala-se muito em "chapear" ao menos as paradas a fim de facilitar o abandono. Assunto polêmico que vem cada vez mais caindo em pauta em associações e clubes de montanhismo mundo afora.


Por mais básico que seja, leve sempre um anorak e blusa térmica em sua mochila, assim como lanterna de cabeça, água e comida suficientes para o tempo da atividade. Mesmo possuindo um clima mais ameno que Chaltén por exemplo, o setor também está inserido na Patagônia, região famosa por fortes e gélidos ventos.



EQUIPAMENTOS NECESSÁRIOS

Leve ao menos 2 jogos de camalots do .0 ao 5 e um jogo de nuts. Com isto conseguirá escalar tranquilamente os grandes clássicos da região. Como exemplo das mais repetidas há a Sifuentes Weber (VI), Lost Finger (VIIa) e Fissura e Diedro de Jim (VI) na Aguja Frey, Nhaca Nhaca Crunch Crunch (VI) e Del Techo (VIb) na Abuello, Del Diedro (5 sup) na M2, normal do Campanille (VIb) e Clemensó (VI) na Aguja Principal. Estes são alguns destaques, mas as opções superam fácil 20 dias de escalada no setor.


P1 da Nhaca Nhaca Crunch Crunch, Aguja Abuello
P1 da Nhaca Nhaca Crunch Crunch, Aguja Abuello

TEMPORADA

A região está liberada para

O Frey está sem dúvida no meu coração como um de meus setores preferidos por toda a combinação mencionada neste artigo. A energia do local, repleta de trilheiros e escaladores do mundo todo, contagia. Todos os anos a Aventura Alpina possui expedição por lá, seja na travessia dos 4 refúgios ou para escalada. Para maiores informações sobre estes roteiros acesse os links:


 
 
 

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